Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

terça-feira, dezembro 27

Abaixo a medalhinha! ! !



na rede apanharam o alexandre
e fizeram uma medalhinha ao o'neill
o mestre não merecia tal sorte, uma vírgula só por que sim. pronto. ponto final.
|| Nuno Simas, 00:49 || link || (6) comments |

Isto das vírgulas...


Sempre gostei dos poemas gráficos do AO'N. Como este.
|| Nuno Simas, 00:47 || link || (1) comments |

O'Neill e a alegria de ser notado, eleito, devorado



Todos os dias são bons para (re)visitar O'Neill, o mestre.

Este poema não tem título e foi publicado no livro Coração Acordeão, edição de 2004 (excelente), da série "Inéditos de Imprensa", de O Independente.



O poema não tem titulo, aviso segundo.

A alegria de ser eleito
a alegria de ser notado
a alegria de ser perfeito
a alegria de ser devorado



Nem o livro nem o poema vem acompanhados de manual de instruções, mas, a mim, fez-me lembrar a campanha eleitoral. Que hei-de fazer?
|| Nuno Simas, 00:09 || link || (0) comments |

domingo, dezembro 25

O meu pai e os blogs

Isto dos blogs era um mistério para o meu pai. Até hoje que, pela primeira vez, viu o gloriafacil. Mistérios de Natal!
|| Nuno Simas, 02:07 || link || (0) comments |

terça-feira, dezembro 20

deboche a metro

estive a fazer o teste. fiquei furiosa com a minha pontuação. quase me vi forçada a rever a minha ideia de mim própria -- e como eu odeio isso. resolvi então fazer o teste dos gajos. e conclui que a ideia com que fiquei do teste das mulheres era absolutamente certa: este teste -- desculpem lá ser tão previsível -- é de um machismo e de um reducionismo tão primário que até parece impossível.

tipo: por que razão é que se pergunta aos homens se já estiveram como a mulher/namorada de alguém e não se faz a mesma pergunta a uma mulher?
sexo debochado é 'sexo com comida' ou sexo oral durante o período????????' plize.
ter um parceiro do mesmo sexo é sinónimo de deboche? (significa isso que os ditos homossexuais são uns ganda debochados, sem apelo nem agravo, ou no caso específico deles o deboche é irem para a cama com alguém do outro sexo?)


enfim.

a única coisa engraçada neste teste é que toda a gente quer ser debochada. esgrimem-se pontuações de deboche como se fossem classificações de qi. isso sim, tem muita piada.
|| f., 16:37 || link || (0) comments |

oh, but i do

da beleza dos homens.

nunca tinha reparado nessa história de as mulheres alegadamente não darem importância à beleza dos homens.

se não dessem importância a isso, davam importância a quê?

toda a vida falei com outras mulheres e outros homens da beleza de outras mulheres e outros homens. e confesso -- como confessei tantas vezes vezes de mim para comigo, de resto não sem uma certa mágoa e até remorso -- que mais depressa me apaixono por um homem bonito e não muito, digamos, brilhante, do que por um homem muito brilhante mas nada bonito.

claro que 'bonito' é um qualificativo essencialmente alquímico: para mim um homem bonito (quase a definição do que eu considero um homem muito muito bonito) é o gabriel byrne. por exemplo. claro que é também o gary cooper (bem mais clássico). ou o clive owen.

aquelas tretas que as pessoas respondem sobre o que as atrai mais em alguém -- tipo o sentido de humor, ou a inteligência, ou outra coisa qualquer desse género -- estão sempre depois do primeiro olhar, daquela espécie de reconhecimento que alguns dizem mais olfactivo que visual e se traduz numa vertigem instantânea, quase mística.

não sei o que é desejo -- ninguém sabe. e sei que sei menos hoje o que é o desejo do que sabia ou julgava saber há uns anos. a aprendizagem do desejo é uma desaprendizagem. é aprender a não saber. é reconhecer o maior e talvez o mais cruel dos mistérios: isso que faz uns bonitos e outros feios, sem apelo.
|| f., 16:06 || link || (0) comments |

domingo, dezembro 18

Da beleza dos homens

Pedro Mexia diz que as mulheres, em geral, mostram não dar importância à beleza dos homens. É verdade. Filomena Mónica, que pertence a uma geração em que o máximo que uma mulher deveria dizer era que X tinha "boa figura", rompe também aí mais um "tabu". As mulheres fingem que a beleza dos homens não importa, o que é falso - a beleza dos homens (o desejo que ela desata) é fonte de infindáveis sofrimentos femininos. Mas as mulheres não falam de desejo ou têm dificuldade em escrever sobre o desejo - a não ser que o misturem, numa operação de alquimia às vezes descabeçada, com o amor. Penso que as mulheres não escrevem sobre o desejo para se protegerem de impropérios boçais (ninfomaníaca, etc.), mas dava-me vontade de as admirar se fosse outra a razão, se as mulheres não escrevessem sobre o desejo para se protegerem do desejo. Sem a purificação do amor, convenhamos que a escravatura não dá jeito nenhum à prossecução de uma vida moderada.
|| asl, 20:47 || link || (0) comments |

Desilusão

É horrível ser uma desilusão. Mas, a sê-lo, que seja assim uma desilusão caterpillar, com pontapés à porta da hemeroteca. Uma desilusão obra-prima da desilusão. Acho que devo pedir desculpa.
|| asl, 19:14 || link || (0) comments |

Eu gosto dos Chicos

(Não vale a pena dizer a quem isto é dedicado)
|| asl, 19:09 || link || (0) comments |

sábado, dezembro 17

Choro bandido

A cada trimestre mudo de ideias sobre qual a melhor canção de Chico Buarque de Holanda. Agora é o Choro Bandido. Se o JPH pusesse isto a tocar aqui na grafonola...

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons

Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão

E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons
|| asl, 20:26 || link || (0) comments |

Only you

A verdadeira comoção pode ser descrita num blog? Por mim não, caraças.
|| asl, 20:13 || link || (1) comments |

Uma humilhação maior

A humilhação de não se estar apaixonado. O tio Benn tarda a confessar a humilhação. Ken, o sobrinho que se mudou para a América porque é lá que decorre a "acção" concentra-se nas aflições do tio botânico à volta das mulheres. Quando um jornalista interroga o tio sobre os efeitos das radiações de Chernobyl, o tio responde: Morrem mais de mágoa. Oh, vão ler o Saul Bellow, todo o Saul Bellow. Eu, monotemática tendencial, não conto fazer outra coisa neste Inverno.
|| asl, 19:50 || link || (0) comments |

sexta-feira, dezembro 16

Eu próprio...

...não diria melhor!
|| JPH, 21:36 || link || (0) comments |

Notas presidenciais

1.Manuel Alegre começou a arguir supostas cabalas contra ele envolvendo alegadas sondagens. Santana Lopes fazia exactamente o mesmo sempre que o chão lhe começava a fugir debaixo dos pés. Com os resultados que se conhecem.

2.O PS. Cada vez que as suas eminências sugerem a Alegre, Jerónimo ou Louçã que desistam, estes são imediatamente obrigados a repetir, com a maior estridência possível, a bravata do daqui-não-saio-daqui-ninguém-me-tira. Não podem deixar de o fazer, sob o risco de se fragilizarem. E assim, aos poucos, vai-se reduzindo a possibilidade de airosamente abandonarem a contenda - o que evidentemente torna ainda mais complicada a vida ao dr. Soares. Todos os dias que passam me convenço mais de que o PS de Sócrates está a fazer tudo para que Cavaco ganhe. Logo à primeira.

3. Num excelente post no Pulo do Lobo, João Gonçalves escreve sobre Vasco Pulido Valente. Salienta o perigo de o citar, ou seja, de o tentar usar em defesa do candidato A, B ou C. O cronista tanto elogia hoje como critica amanhã. E nestas eleições - pelo menos até agora - não escolheu nenhum campo. Um sniper por conta própria (parece uma redundância mas não é). É esta imprevisibilidade que (também) faz o seu génio. Os clones que entretanto surgiram adivinham-se com semanas de antecedência. São eles e o Pai Natal, em quem, para muita pena minha, não consigo acreditar.

4.Alegre a abrir, Alegre a fechar. Uma certeza resulta destas eleições: nas próximas eleições legislativas não terá partido para voltar a ser candidato a deputado. O Parlamento ficará "orfão" do autor do preâmbulo da Constituição. Admitirá a Pátria tamanha ausência?
|| JPH, 19:01 || link || (0) comments |

O Borges...

...sim...pois...o Borges...mas isso agora, como dizia a outra, não me interessa nada. O que eu quero é uma descrição rigorosa da festarola de ontem. Ou melhor, um relatório, organizado sob as seguintes alíneas:

1. Miúdas: quantidade, qualidade (mas dispenso apreciações psicologistas).
2. Os gajos de direita dançam?
3. Pifos: quanto? quem?
4. E outras informações que considere relevantes.

A bem da Nação,
|| JPH, 12:42 || link || (0) comments |

O Mal

"Quem é que supõe que alguém possa fazer mal a uma criança de 50 dias?", perguntou, numa entrevista ao PÚBLICO, ontem, a presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Viseu, Maria do Carmo Sá. A pergunta/confissão revela tudo. Maria do Carmo Sá não consegue imaginar que todo o mal é possível. E que pode estar ao virar da esquina, debaixo dos nossos olhos. Deve ser-lhe difícil viver com a ideia - e eu percebo que o seja, também para mim e para toda a gente é.

É - mas não pode ser. Ainda por cima em organismos como aqueles. E numa altura em que se multiplicam as histórias de horror envolvendo - até à morte - crianças. Podem, agora, fazer as mudanças legais todas que devem fazer. Para já deviam obrigá-los todos a ler Hanna Arendt (na foto).
|| JPH, 11:14 || link || (0) comments |

quinta-feira, dezembro 15

Sim...

...confirma-se...o rapaz voltou. Andou 15 dias a passear por terras de Vera Cruz. No Rio de Janeiro fez aquilo que qualquer turista deve ali fazer: foi ouvir canto gregoriano para um mosteiro beneditino (São Bento na foto). Numa cidade como aquelas até se entende. O clima puxa a uma certa espiritualidade.
|| JPH, 15:12 || link || (0) comments |

Uma boa notícia...

...é, sem dúvida, o afastamento de Manuela Moura Guedes do Jornal Nacional da TVI. O jornalismo televisivo - que condiciona decisivamente a imagem do jornalismo no seu todo - fica a ganhar, e muito. A senhora introduziu na sua apresentação do principal telejornal da TVI a (mal) chamada "editorialização" das notícias. Ou seja, comentava-as. Como o fazia numa estação que, muito legitimamente, faz das audiências o seu ganha pão, as suas opiniões só podiam ir no sentido em que iam: no do populismo mais rasca, espécie de Bulhão-chic em prime time. Tudo isto contaminado por uma evidente necessidade de ajustar contas com o seu próprio passado, ou seja, com a sua (felizmente) mal sucedida passagem pela política activa. Há quem ache que isto é o futuro e eu nem dúvido que seja. Mas não o alimento. Nem colaboro.

Por isso digo, sem receio nenhum: se a entrada da Prisa em Portugal implicar a eliminação daquele jornalismo, então que mil Prisas floresçam por aí.
|| JPH, 14:12 || link || (0) comments |

quarta-feira, dezembro 14

Nota aos leitores


[Central Rodoviária de Rio Maior]

Na rubrica Novidades, logo abaixo da Discoteca, foi colocada uma ligação aquele que é considerado aqui como "o primeiro e único banco de imagens de arquitectura contemporânea em Portugal de livre acesso", da autoria de Fernando Guerra. São "55 reportagens fotográficas sobre algumas das mais notáveis obras arquitectónicas" nacionais. Chamo particular atenção para a página 4 do site ( projecto do Hotel Tróia Casino, do atelier Promontório Arquitectos) e para a página 12 (Central Rodoviária de Rio Maior, da autoria de Paulo Tormenta Pinto).

Haja curvas na arquitectura nacional, carago!
|| JPH, 11:52 || link || (0) comments |

I like chinese


Reparem: isto é lindo de morrer. Isto são os planos dos chineses para o Centro Nacional Aquático de Pequim, que servirá os Jogos Olímpicos de 2008. O ambiente é completamente aquático - para atletas mas também para os espectadores (e teleespectadores). Eu aposto que quando começarmos a ver o que os chinesinhos construíram para os jogos chegaremos em segundos à seguinte conclusão: nunca vimos nada assim. E nada na arquitectura voltará a ser como dantes. Importa, como sempre, voltar aos clássicos, que explicam tudo.



The world today seems absolutely crackers.
With nuclear bombs to blow us all sky high.
There are fools and idiots sitting on the trigger.
It's depressing, and it's senseless, and that's why...

I like Chinese,
I like Chinese,
They
only come up to your knees,
Yet they're always friendly and they're ready to please.

I like Chinese,
I like Chinese,
There's nine hundred million of them in the world today,
You'd better learn to like them, that's what I say.

I like Chinese,
I like Chinese,
They come from a long way overseas,
But they're cute and they're cuddly, and they're ready to please.
Verse: I like chinese food,
The waiters never are rude,
Think of the many things they've done to impress,
There's Maoism, Taoism, I Ching and chess.
So I like Chinese,
I like Chinese,
I like their tiny little trees,
Their Zen, their ping-pong, their
yin and yang-ese.

I like Chinese thought,
The wisdom that Confucious taught,
If Darwin is anything to shout about,
The Chinese will survive us all without any doubt.

So I like Chinese,
I like Chinese,
They only come up to your knees,
Yet they're wise and they're witty, and they're ready to please.

Coro: (em chinês)

I like Chinese,
I like Chinese,
Their food is guaranteed to please,
A fourteen, a seven, a nine and lychees.

I like Chinese,
I like Chinese,
I like their tiny little trees,
Their Zen, their ping-pong, their yin and yang-ese.

I like Chinese,
I like Chinese...


I Like Chinese, Monty Python

Bom dia!
|| JPH, 09:52 || link || (6) comments |

terça-feira, dezembro 13

Não se esqueçam: é Natal

O tempo leva-nos os nossos próprios posts lá para baixo, condenando-os ao esquecimento. Não fosse o João e já nem me lembrava da minha "já lendária" lista de prendas de Natal. Está aqui, para consulta dos interessados.
|| JPH, 11:40 || link || (0) comments |

segunda-feira, dezembro 12

inegociável

aquele gajo do irão anda-me a enervar solenemente.

e a dar-me uma vontade irreprimível de repetir aquela citação do bill clinton que, salvo erro, já aqui citei há uns meses largos -- aquela em que ele diz que, todas as diferenças com o estado de israel incluídas, se algum dia a sua existência estiver em causa, ele tenciona pegar numa metralhadora, enfiar-se numa trincheira e combater até à morte.

o que clinton diz vale o que vale -- mas a frase vale muito mais que isso (e que ele?).

o filho da mãe iraniano é uma besta, claro. mas o pior nem é ele e os como ele -- sei exactamente como se deve lidar com os como ele. o pior são os outros. por exemplo: lembro-me de uma noite na jordânia em 2003 em que, horas antes de seguir para o iraque, jantei com um jovem arquitecto jordano de origem palestiniana e uma não tão jovem professora jordana de origem palestiniana (uma parte considerável dos jordanos são, como se sabe, de origem palestiniana). eram pessoas civilizadas, simpáticas, e estávamos num lugar civilizado e afável, cheio de jovens civilizados e afáveis e trendy, a comer comida italiana (era o que havia). a dada altura, eles, os jordanos, começaram a falar de israel. já não me lembro do que disseram, mas foi algo que me levou a dizer, 'discutir a existência do estado de israel está fora de questão'. eles ficaram a olhar para mim como se tivesse pronunciado algo de indizível.

eram pessoas simpáticas, civilizadas. sem barbas façanhudas nem kefiahs sequer. nada parecidas, na aparência pelo menos, com o gajo iraniano.

ah, é verdade: no mesmo dia, à tarde, o arquitecto tinha-me mostrado uma nota jordana com a imagem da mesquita de al-aqsa. a mesquita de al-aqsa é em jerusalém. e jerusalém ou é israel ou é palestina, na actual discussão geo-estratégica. já ninguém diz que é jordânia. achava eu, claro.

quando pensares que estás a perceber o médio oriente, é porque ainda não percebeste nada, dizia um cartaz no gabinete de timur goskel, o chefe das forças da onu no sul do líbano, em 1992. true. há coisas que nunca se vão perceber e, sobretudo, há coisas que nunca se vão poder racionalizar. talvez a minha determinação em não discutir a existência do estado de israel (mesmo se posso discutir longamente os métodos e a política do estado de israel) seja uma delas -- todas as coisas e causas pelas quais nos imaginamos a pegar em armas o são. Escolher um lado deriva, mesmo que possamos fazer uma lista em que cabem todas as palavras e noções certas, de uma adesão de sangue e coração.

há coisas em que há um nós e um eles, como um bem e um mal -- coisas que não se discutem nem se negocieiam nem relativizam. israel é uma delas.
|| f., 20:57 || link || (1) comments |

Nota aos leitores

Na Discoteca (uma nova rubrica) foi colocado um velho hit natalício, It's Hard To Be a Jew On Christmas, da banda sonora do South Park. Tomem nota da comovente lírica. Entretanto o Every Sperm is Sacred foi retirado da Discoteca e transferido para aqui.

It's hard to be a Jew on Christmas
My Friends won't let me join in any games..
And I can't sing Christmas songs
Or decorate a Christmas tree...
Or leave water out for Rudolph
'cos there's something wrong with me...
My people don't believe in Jesus Christ's divinity...
I'm a Jew, a Lonely Jew...on Christmas.

Hanukkah is nice, but why is it,
That Santa passes over my house every year?
And instead of eating Ham
I have to eat Kosher LATKEES...
Instead of Silent Night
I'm singing hou-hazch-tou-gavish...
And what the fuck is up
With lighting all these fucking Candles, tell me please?
I'm a Jew, a Lonely Jew.. I can't be merry, cos I'm hebrew.. on Christmas

Hey Little Boy, I can't help but hear,
You're feeling left out of Christmas Cheer...
But i've come to see that you shouldn't be sad
'Cos this is the one month that you shoud be glad...

Because it's nice to be a Jew on Christmas
You don't have to deal with the season at all...
You don't have to be on your best behaviour, or give to charity
You don't have to go to grandma's house with your alcoholic family...
And I don't have to sit on some fake Santa's lap
And have him breathe his stinky breath on me!
That's right! You're a Jew, a Stylin' Jew...
It's a good time, to be Hebrew...on Christmas.
|| JPH, 11:47 || link || (2) comments |

sexta-feira, dezembro 9

Debochómetro

Neste teste perceberão até que ponto são (ou não) verdadeiramente debochados.

PS - A classificação é de zero a cem. Zero só para aí o Marquês de Sade; Cem a Madre Teresa de Calcutá (e tenho as minhas dúvidas).
PS 2 - O teste foi indecentemente roubado à Inês (que não divulga os seus próprios resultados, lamentavelmente).
|| JPH, 16:17 || link || (0) comments |

A ver, a não perder, pela vossa saudínha!

1. A História do Blues, um documentário supervisionado por Martin Scorcese que ontem à noite começou a passar no canal 2 da RTP, a uma hora civilizada (23h30). Muito, muito, muito bom. Cada episódio (num total de sete) será realizado por um cineasta diferente, um dos quais o próprio Scorsese. Todas as quintas-feiras, às 23h30, na RTP-2.

2. Quem tem crianças e mora na zona de Lisboa deve ir à Casa do Artista - ali mais ou menos nas traseiras do Colombo - ver Camões, Príncipe dos Poetas. Uma espécie mini-ópera cantando os versos de Camões que é realizada, com a competência habitual, pelo TIL (Teatro Infantil de Lisboa). Juro-vos: aquilo é mesmo muito bom. Sei de crianças de seis anos que a seguir à peça pediram aos pais para lhes comprarem os Lusíadas. Nunca vi Camões melhor "explicado" às crianças. Uma eficácia comovente.
|| JPH, 11:10 || link || (0) comments |

Fantasia confirmada (na medida do possível)

No blogómetro o Glória Fácil encontra-se, hoje, em 39º lugar. Está no sítio certo. Por cima tem o Contos Eróticos e por baixo o Pitas Nuas.
|| JPH, 10:50 || link || (0) comments |

A Ler

1. Laicidade é laicidade, por Pedro Lomba
e o seu reverso
2. Cruxifixos implacáveis II, por João Miguel Tavares
|| JPH, 10:40 || link || (0) comments |

quinta-feira, dezembro 8

O operário e o árbitro que engoliu o apito...

Soares e Jerónimo, dois candidatos de esquerda (um mais que outro), debateram hoje na RTP... por assim dizer, fazendo uma interpretação simpática da palavra "debate".
Tudo muito cordato, face à regra de não interromper o adversário. Soares fez o sinal (muito desportivo) de pedido de "tempo" (uma mão por cima da outra, em T) para interromper e atirar umas indirectas a Jerónimo.
Interromperam-se (contei eu) quatro vezes. Credo! Que falta de civismo! Jerónimo só interrompeu uma vez, com um aparte por causa da NATO.

Ambos do mesmo lado da barricada - a barricada anti-Cavaco - Jerónimo e Soares optaram por uma espécie de pacto de não-agressão, unidos na "luta" pela passagem (de um candidato da esquerda) à fase seguinte do campeonato presidencial, por assim dizer.

Agora, o debate Soares-Cavaco promete. Soares não vai resistir a interromper Cavaco - com ou sem sinal de "tempo". Aí, talvez o debate se assemelhe a um debate, em que os dois possam interromper-se para contra-argumentar.

[A frase da noite - "o árbitro que engoliu o apito" - é de Jerónimo, sobre o primeiro mandato de Soares em Belém].
|| Nuno Simas, 23:26 || link || (0) comments |

Eu quero é ver o Sócrates a implodir o Cristo-Rei!

Na questão dos crucifixos o argumentário de Pavlov também tem brilhado esplendorosamente. Mais uma vez é tudo muito simples:

defensores da lei = mata-frades, hereges, bisnetos do Afonso Costa e do Estaline

etc, etc, etc.

Mais uma vez é tudo muito simples, dizia eu, e mais uma vez pelas mesmas razões:

1. Dá trabalho perceber a história completa
2. Percebendo a história completa fica-se sem nada para dizer.

Tem este mal, a blogosfera. Não se tendo opinião não se escreve. E não se escrevendo as audiências baixam. E ficamos chateados e depois inventa-se qualquer coisa para, como se diz na rádio, encher a antena.

E depois sai disto. Sinceramente, não entendo como é que o Martim se diminui na sua inteligência com argumentos deste género. Pelos vistos, deixou-se ir na maré dos que acham que vem aí uma espécie de Holocausto anti-cristão e que o Estado laico se está a preparar para ser agora o que em tempos a Igreja Católica foi para outros (uns milhõezitos, nada por aí além, o que vale é que eram só judeus).

Arma-se logo a grande conspirata e aí vamos todos, de avental à cintura, dar cabo dos presépios e mudar os nomes às ruas (como na Luanda marxista, de R. de Santo António para rua Camarada Che Guevara e coisas assim), numa Grande Marcha sanguinária que percorrerá o país incendiando igrejas e enforcando centenas de padres nas tripas de centenas de freiras. Um festim que terminará num clamor orgásmico vivido em simultâneo por milhões no mundo inteiro (imaginem a gritaria, vai ouvir-se na Lua...) perante a gloriosa implosão do Cristo-Rei de Almada (além do mais, um valente mamarracho) accionada em directo para as câmeras da CNN por um engº Sócrates exibindo o seu mais luciferino sorriso, qual mullah Omar perante os Budas gigantes do Afeganistão.

Estão a ver o filme? Este género de argumentário, demagogo e profundamente desonesto, visa apenas incendiar, mais do que discutir. O que está em causa é algo tão simples como isto: há uma lei (da Liberdade Religiosa), que até foi conversada com a hierarquia católica e aprovada no tempo do mui canónico engº Guterres, evidentemente com a sua santa benção. E, além dessa lei, a Constituição. E ambos os textos estão muito longe de prever - mesmo muito longe - o que se prevê em França, por exemplo (ler aqui o que escreveu Vital Moreira). E pronto. É só isto. Rigorosamente só isto.

Tudo o mais tem sido pura ficção. Tenho aliás por mim que os césares das neves desta alegre paróquia à beira mar plantada só exacerbaram a questão porque estão em warm up argumentativo para o referendo do aborto. Neste "caldinho" radical, eles sabem que voltarão a ganhar.

Por isso volto ao princípio. Seria importante não entrar nas discussões sobre matéria controversa sempre da mesma maneira simplista, do género "ou és por mim ou és contra mim" ou "só criticas o Bush porque és anti-americano" ou ainda, como se usava antigamente, "tudo pela Nação, nada contra a Nação". Se quisermos ser algo mais que os pobres cães do Pavlov temos de admitir que há mais vida para lá destas "verdades" esquemáticas. O maniqueísmo foi a "massa" que estruturou a propaganda das ditadutas e a perseguição aos seus adversários. Convém não repetir asneiras que representam passos civilizacionais à rectaguarda.

Leituras recomendáveis.
1. A Constituição da República (artigos 41º e 43º)
2. A Lei da Liberdade Religiosa (artigos 4º e 9º)


PS - E, a propósito, amanhã almoçamos?
|| JPH, 13:44 || link || (0) comments |

A ler

Os Bichos Carpinteiros, outra vez, aqui. Por mim não se apoquentem. Não era certamente pelos comentários que eu lá ia. Aqui no Glória Fácil nunca houve caixa de comentários. Não houve nem haverá. Aqui está explicado porquê.
|| JPH, 13:27 || link || (0) comments |

quarta-feira, dezembro 7

Argumentos de Pavlov


Pudor = moralismo hipócrita
ou
Abertura de espírito = voyeurismo

Foi nisto que andou parte do debate bloguístico à volta do Bilhete de Identidade. Estímulos simples implicam respostas simples, há muito que o sr. Pavlov explicou isto. E as almas mais simples disto não conseguem sair. Por duas razões:

1. Dá trabalho.
2. Se elaborassem um pouco mais ficavam sem nada que dizer.

Portanto, se quiserem ler uma autobiografia que, além de interessante, é importante, leiam Tempos Interessantes, do quase centenário Eric Hobsbawm. Vão ver o que é uma vida. Ele achou - talvez por ser judeu ou inglês ou marxista ou militante comunista ou produto académico de Cambridge - que o mais importante e interessante era mesmo o tempo em que ele viveu e visto como ele o viveu. Isto remete para um aviso prévio: não estejam à espera de ali encontrar as suas experiências sexuais. Nem as dele nem as das pessoas com quem se cruzou. Não se fica a saber de nenhum falhanço sexual de nenhum famoso intelectual ainda vivo e operante nos jornais. Há quem o lamente - eu não.

Não recomendo este livro por sobranceria. Só o faço para dizer que há quem consiga publicar as suas memórias sem incluir os detalhes picantes (seus e de terceiros). Mesmo em Portugal. Até treinadores e jogadores de futebol, seres cuja vida íntima costuma ser bastante preenchida e variada, segundo rezam as lendas.

Não foi o caso de Filomena Mónica. Alguém - a própria - sentiu necessidade de incluir a história completa. Eu, de certa forma, até compreendo: haveria memórias suas publicáveis sem esses detalhes? Memórias de quê?

PS - O "Milhafre" refere-se ainda ao "feminismo histérico" do Glória Fácil. Levo-o a sério - porque o conheço. No que toca a histerismo o homem é uma autoridade.
|| JPH, 11:21 || link || (0) comments |

A ler

As grutas do anonimato, por Mário Bettencourt Resendes.
|| JPH, 11:05 || link || (0) comments |

terça-feira, dezembro 6

ó ana! ó dona ana! tu sai-me do limbo, mulher!

é que isso vai explodir não tarda, já está em countdown (viste o aliens e quejandos? é quando a voz computorizada começa a dizer: this place is going to be destroyed in...). tu salva-te, gaja!

além disso -- que estás aí a fazer? já não és bebé!

bem sei que às vezes eles te chamam bebé (chamam sempre). mas é mentira.
|| f., 21:16 || link || (0) comments |

Nota aos eleitores

Tendo em conta a "quadra", o crucifixo, o limbo e o que mais se queira, continuamos a colocar música sacra na rubrica Novidades. A versão tântrica do Personal Jesus pelo Johnny Cash deu agora lugar a outro hino da música gregoriana, Every Sperm Is Sacred, dos mui saudosos Monty Phyton. Fontes habitualmente bem informadas às terças-feiras informaram-nos de que é com esta música em fundo que o dr. César das Neves produz os seus artigos semanais no DN. Para que possam cantalorar enquanto ouvem, eis a letra:




Monty Python, "Every Sperm Is Sacred"

There are Jews in the world.
There are Buddhists.
There are Hindus and Mormons, and then
There are those that follow Mohammed, but
I've never been one of them.

I'm a Roman Catholic,
And have been since before I was born,
And the one thing they say about Catholics is:
They'll take you as soon as you're warm.
You don't have to be a six-footer.
You don't have to have a great brain.
You don't have to have any clothes on. You're
A Catholic the moment dad came,

Because

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

Let the heathen spill theirs
On the dusty ground.
God shall make them pay for
Each sperm that can't be found.
Every sperm is wanted.
Every sperm is good.
Every sperm is needed
In your neighbourhood.
Hindu, Taoist, Mormon,
Spill theirs just anywhere,
But God loves those who treat their
Semen with more care.

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

Every sperm is sacred.
Every sperm is good.
Every sperm is needed
In your neighbourhood!

Every sperm is useful.
Every sperm is fine.
God needs everybody's.
Mine! And mine! And mine!

Let the Pagan spill theirs
O'er mountain, hill, and plain.
God shall strike them down for
Each sperm that's spilt in vain.

Every sperm is sacred.
Every sperm is good.
Every sperm is needed
In your neighbourhood.
Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite iraaaaate!
|| JPH, 21:12 || link || (0) comments |

bendita entre as mulheres

obrigada, jph, por me reconduzires aos caminhos da verdadeira fé.
|| f., 21:10 || link || (0) comments |

ai nuno, tu nem respires, que eu vou já

não te aproximes: pode ser um crucifixo a fazer de cabide. eu vou lá e desexorcizo-te o armário. zumba!
|| f., 21:07 || link || (1) comments |

E agora...

...em homenagem à f., que voltou ao nosso convívio presenteando-nos com 20 mil caracteres da melhor prosa bloguista dos últimos anos, eu ofereço verdadeira música erudita. Oiçam em recolhimento.

|| JPH, 19:44 || link || (0) comments |

crucifixos

foi há dias. descobri um crucifixo em casa. de madeira.
ah... não, desculpem, é um cabide.
|| Nuno Simas, 18:48 || link || (0) comments |

o tempo deles 2

exactamente, francisco.
|| f., 16:29 || link || (0) comments |

casas

hoje de manhã fui visitar as casas de dois novos vizinhos do meu barro, dois arquitectos que compraram dois andares num prédio pombalinocom vista para o largo de santo antónio da sé.

fiquei verde, eu que adoro a minha casa e dificilmente a trocaria por outra (a não ser que com um jardim, para lá pôr o castro laboreiro que a patrícia e pedro, que têm um casal com uma ninhada de oito, me prometeram). têm pés direitos de 4 metros, salas de sessenta metros quadrados, cozinhas de praí quarenta e, talvez ainda mais importante, estão a estrear.

há poucas coisas tão felizes como uma bela casa antiga remoçada. uma casa velha nova. o eco dos passos nas paredes vazias, a luz sem fronteiras, os lugares das coisas antes das coisas, dos corpos antes dos corpos, das vozes antes das vozes. disponíveis para todos os sonhos, mas com um rasto de memórias outras.

tenho nostalgia das minhas outras vidas nessas casas que nunca serão minhas.

e outra coisa. perante casas como estas penso naqueles t1 e t2 da rinchoa, com salas 'espaçosas' de 15 metros quadrados e cozinhas de 6, e chão de madeira flutuante ou de 'tijoleira' e casas de banho com poliban empoleirado na sanita e em como se chegou daqui, das casas do século xviii, a essa obscenidade.
|| f., 16:00 || link || (0) comments |

Eu não dizia?

Uma jóia de pessoa
Manuel Alegre é uma jóia de pessoa. Sério. Ontem, num debate-entrevista em que Cavaco Silva se saiu francamente melhor do que em todas as outras aparições televisivas, Alegre disse que Cavaco era o candidato do centro-direita e ele, o candidato da esquerda. Alegre pôs-se à esquerda (digamos, à esquerda da esquerda) e ofereceu-nos de bandeja o centro. Obrigado, Manuel.
Pedro Lomba, 15h16
|| JPH, 15:47 || link || (0) comments |

limbo é lindo

confesso que não sou muito versada no assunto (nem muito, nem pouco) e posso portanto dizer algum disparate maior que o normal sobre isto. mas estou fascinada com o facto de a igreja católica (sim, outra vez, sou uma básica nas minhas aversões) estar a contemplar a possibilidade de acabar com o limbo.

leiam este naco da ecclesia, de 2 de dez:

Vai ser publicado "em tempo razoavelmente breve" um documento do Vaticano sobre a situação das crianças que morrem sem o baptismo. Foi o que anunciou o Arcebispo Dom William Joseph Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e novo Presidente da Comissão teológica internacional, ontem recebido em audiência pelo Papa Bento XVI. Dom Levada, na sua primeira intervenção pública como "sucessor" de Ratzinger à frente do ex-Santo Ofício, recordou que o tema das "crianças que morrem sem o baptismo" ocupou os trabalhos da Comissão durante estes dias. O Arcebispo recorda que se trata de um tema complexo do ponto de vista teológico, já que hoje não "existe" mais o "limbo" que, por séculos, era destinado às crianças não baptizadas. "A discussão realiza-se a propósito de um projecto de texto sobre a sorte das crianças que morrem sem o baptismo. Neste tempo de relativismo cultural e de pluralismo religioso - disse o Arcebispo - o número de crianças não baptizadas aumenta consideravelmente. Nesta situação, os caminhos para se chegar à salvação aparecem sempre mais complexos e problemáticos."Segundo o Arcebispo Levada, a Igreja "não pode deixar de reflectir sobre a sorte de todos os homens criados à imagem de Deus e, de modo particular, dos mais fracos e daqueles que ainda não estão em posse do uso da razão e da liberdade. Pode-se esperar que num tempo razoavelmente breve o estudo empreendido pela Comissão Teológica tenha um resultado positivo também com vista à eventual publicação de um Documento sobre este assunto".O Presidente da Comissão acenou ainda para as relações entre lei moral natural e defesa internacional dos direitos da pessoa humana: "Parece urgente apresentar as razões e os fundamentos da lei moral natural, objectiva, universal, de origem divina, de modo construtivo e eficaz para o contexto cultural actual. Segundo estas precisas indicações, a Comissão Teológica Internacional deve seguir seus estudos".

ora bem. eu, que como já disse sou nadíssima versada nestas coisas, não faço ideia de quando a igreja católica inventou o limbo, mas registo que, passados uns séculozitos (o tempo 'razoavelmente breve' é assim) em que andaram a infernizar a vida aos pais que além de passarem pelo pavor de ver morrer um bebé (durante muito tempo todos os bebés eram baptizados, period, portanto para morrerem antes do baptismo tinham de ser muito novinhos) ainda tinham de encarar a ideia de que a pobre criança ia ficar suspensa num lugar penumbroso, entre o reino do demónio e o dos céus, apenas porque não levara com um fio de água benta na fronte, os senhores prelados resolveram repensar o assunto e a compatibilização da 'lei moral natural', 'objectiva', 'universal', 'de origem divina', com os 'direitos da pessoa humana'.

élécas.

este levada é levado da breca.

portanto a tal lei é natural e objectiva e de origem divina, mas não assim tanto que não permita aggiornamentos. tipo, deus pôs-se a pensar e mudou de ideias: toca a acabar com aquele quarto dos fundos, tipo anexo, da esfera celeste que dava plo nome de limbo, já que 'hoje em dia há muita criança não baptizada'. não é tipo 'não faz sentido nenhum decretar que um bebé que não fez mal a ninguém pague pelos pecados dos adultos (se não baptizar alguém pode ser um pecado)', ou, melhor, não é 'o baptismo é um rito, o que interessa é o que fazes com a tua vida'. nem: 'se calhar não faz muito sentido andarmos para aqui a bramar que até três células embrionárias são uma pessoa humana com toda a dignidade e depois decretarmos que um bebé inteirinho é chutado para o limbo se não for baptizado'.

não sei se toda a gente saboreará nesta assunção, pelo próprio vaticano, do carácter transitório, dependente do contexto histórico -- ou seja, absolutamente ficcional -- , das 'leis divinas' a delícia que lhe encontro. mas enfim -- quando os diospiros já não são o que eram e o tempo deles tá a acabar, temos de saborear o que aparece.

(o jph é que está muito contente porque não foi baptizado e assim crê que pode ir directamente para o inferno, onde não só está quentinho como se encontrará comigo e com a ana -- com o nuno não, porque é um santo -- como com outras pessoas igualmente fascinantes, perversas e malvadas, que vão de encontro -- como diz o povo-- aos crucifixos nas escolas e até nos hospitais e acham que o sexo não serve só para a procriação e assim. claro que eu e a ana tentámos explicar-lhe que aquilo do limbo era só para bebés, e ele apesar de ter cara de um já não o é bem. mas enfim, lá está, cada um delicia-se com o que apanha mais à mão)
|| f., 15:16 || link || (0) comments |

debacle

se forem todos assim, a sic acaba por desistir -- é demasiado mau para as audiências.

chiça, que seca.

o cavaco a ver se consegue não dizer nada que o comprometa (ficámos sem saber nada sobre o que pensa sobre seja o que for, desde a invasão do iraque à nomeação de santana -- só que está muito preocupado com o desemprego e o colapso da segurança social e que acha que sem dinheiro não há palhaços. fascinante). e o manelito a comentar o que dizia o cavaco, sem apresentar uma única ideia que se recorde e a só animar com aquela muito original da língua que é a nossa maior riqueza e da oposição tremendista à guerra do iraque, outra originalidade.

numa coisa concordo com eles: o debate foi muito esclarecedor. infelizmente para os próprios (e para o rodrigo e o ricardo, que estavam ali a fazer de cronómetro -- adorei aquela 'o dr manel alegre está com um enorme défice'. já agora, ele é dr de quê?).
|| f., 15:06 || link || (0) comments |

Eu e o Chico a vermos o debate

Fui ver o "debate" (aspas com valor de ironia) Cavaco/Alegre ao Snob com o Francisco Trigo de Abreu. Nestas ocasiões especiais o sr. Albino põe ao dispor uma televisãozinha, normalmente escondida num armário, na sala da entrada, virada para a mesa dos habitués. Já ali testemunhei grandes gritarias à volta de jogos de futebol. Ontem o "escritório" estava vazio de velhos clientes: eu e o Chico, é tudo. Graças a Deus o Chico levou o Bilhete de Identidade. Fui folheando em lógica randómica, à procura, claro, dos spice details. Deu-me jeito para preencher os momentos de maior tédio - que ocuparam 99,9 por cento do debate.

20h45 - Começa o debate. Neste exacto momento, neste preciso exacto momento, o sr. Albino resolve ligar a aparelhagem: B.B. King prá maralha curtir. Numa mesa ao nosso lado um jovem casal espanhol faz o que todos os espanhóis fazem a toda a hora e em todo o lado: tagarelam à velocidade da luz. Ambiente ideal para alta política.

20h53 - Francisco comenta: "Que soporífero!"

20h56 - Confirma-se o "soporífero". O professor já está a falar em "taxas de juros" e "políticas pró-cíclicas". Old habits die hard.

20h59 - Revelação da noite! O Francisco explica porque votará Soares: "É o único que me diverte". Uma razão tão legítima como qualquer outra. Mas, sendo assim, o melhor não seria votar Manuel João Vieira?

21h02 - Diz o prof. Cavaco: "Para mim o desenvolvimento divide-se em três partes: económico, cultural, social e ambiental". É fazer as contas.

21h07 - O Francisco começa a ficar impaciente (é uma das suas imagens de marca). "O gajo ainda não fez um ataque ao Cavaco em já vamos em meia hora desta merda!" Produzo então uma pérola psicanalítica: "Estás a reviver os teus traumas sportinguistas."

21h12 - Ena, ena! O dr. Alegre produziu uma leve crítica ao prof. Cavaco relembrando-lhe a tese das "forças do bloqueio".

21h14 - Mas Cavaco reage com uma grande defesa, daquelas muito treinadas: "Serei uma força do desbloqueio." Antecipo que o soundbyte seria no dia seguinte título nos jornais. Confirma-se.

21h15 - Pouco o bloco e a caneta. Não vale a pena. Soube depois que ambos os candidatos tinham considerado o debate muito "esclarecedor". Sim, concordo. Para mim foi. Sobretudo quanto ao candidato Alegre. A mim o debate custou-me onze euros. Não se repetirá.
|| JPH, 14:25 || link || (0) comments |

Evidentemente

Se todos os adversários de Cavaco nos debates forem como Manuel Alegre foi ontem, então já nem vale a pena realizarem mais debates: Cavaco vencerá as eleições esmagadoramente. Ontem Manuel Alegre evidenciou no seu mais miserável esplendor a sua utilidade nesta campanha. O professor agradece, evidentemente.

PS. Após o debate, foi divulgada uma sondagem na SIC sobre "quem ganhou o debate". Uma sondagem da empresa de Rui Oliveira e Costa (ROC). O resultado final foi estranho: 25 por cento acharam que Cavaco ganhou; 17 por cento deram a vitória a Alegre. E os outros 60 e tal por cento? ROC explicou que eram "não sabe/não responde/não viu" e ainda os que acharam que o debate acabou "empatado". É este o meu ponto: o "empate". Se não me engano também é um resultado passível de ser revelado, não equivalendo às "abstenções" do ns/nr/não viu. Por isso estranhei que tenha sido mantido oculto. Mas foi, lá isso foi. Nenhum dos pivots lhe perguntou porquê.
|| JPH, 13:55 || link || (0) comments |

segunda-feira, dezembro 5

Debate Cavaco-Alegre (III)

Cavaco Silva: "Foi um debate muito vivo e esclarecedor!"

Manuel Alegre: "Foi um debate esclarecedor."

Pronto, um é de direita outro é de esquerda, mas concordam nisto. Helas
|| Nuno Simas, 22:14 || link || (0) comments |

Debate Cavaco-Alegre (II)

Foi um debate morno, morno. Como diriam os espanhóis: flojo, flojo.
|| Nuno Simas, 21:06 || link || (0) comments |

Debate Cavaco-Alegre

O debate Cavaco-Alegre está a ser uma entrevista em duplicado. Tudo muito certinho. Sem interrupções nem nada. Certinho demais, cá para mim.
|| Nuno Simas, 20:55 || link || (0) comments |

o tempo deles

adoro diospiros.

desde pequenina.

havia na quinta dos meus avós maternos um diospireiro enorme, junto a um dos poços, onde o meu pai apanhava aquela espécie de tomates gelatinosos e doces que depois arranjava para mim, num pires.

todo o ano perguntava, como as outras crianças pelo natal, pelo tempo dos diospiros.

a quinta já não é, o diospireiro também não. morreu quando os meus primos resolveram fazer um estábulo ao lado e o xixi das vacas ou coisa que o valha matou a árvore.

nunca perdoei aos meus primos (isso e outras barbaridades, como desenterrar o meu gato favorito para lhe verem o esqueleto e ajudar um tio meu a apanhar e dar sumiço a um dos meus cães porque tinha morto galinhas).

nunca esqueci o meu diospireiro e as suas delícias. e nunca mais comi diospiros tão bons (é um clássico).

mas continuo a tentar (é outro clássico). e não percebo por que motivo nos restaurantes me fazem a mesma cara de estranheza a cada investida, como se estivesse a pedir miolos de macaco ou gafanhotos fritos.

quero diospiros, raios. se há kiwis e mangas e outras tropicalices, que razão apresentam para ignorar um fruto japonês?

talvez seja só uma forma piedosa de me poupar à teimosia de tentar voltar ao sabor em que fui feliz. mas eu insisto: quero poder dizer que não é igual, aferir o mundo de diferença entre o adocicado produto das estufas israelitas e espanholas e aquele sombrio canto do pomar onde no chão se derramavam, num festim de abelhas, os mais maduros exemplares do meu fruto favorito, e o meu pai subia a um escadote para me colher o pecado.

o tempo dos diospiros é curto, de agosto a outubro, e se chover ainda menos. quando acaba fico triste. e apetece-me ter a quem perguntar: falta muito para ser outra vez?
|| f., 20:02 || link || (0) comments |

Aviões e respectivos passageiros

A mim tanto se me dá como se me deu que o nosso céu ou até o de toda a UE dos 25 seja sobrevoada por aviões da CIA. É uma agência oficial, reconhecida, de um país oficial e reconhecido e portanto siga a marinha (por assim dizer).

Agora o que evidentemente me deixa a cara à banda é esta de os referidos aviões transportarem, alegadamente, prisioneiros "tallibans" e outros quejandos para serem torturados em instalações secretas da CIA na Europa - instalações por cá montadas porque lá (nos EUA) não o podem ser (a lei, essa puta).

Caso a falcoaria pró-Bush não tenha percebido, é ESTE o problema. Vou tentar ser ainda mais claro: o problema não são os aviões; são os passageiros. Repito: os passageiros. E princípios simples como este: não se torturam seres humanos. Ponto final.
|| JPH, 19:53 || link || (0) comments |

em nome de salazar, esse grande libertador

a quantidade de dislates que se tem escrito a propósito da chamada 'guerra dos crucifixos' (uso a expressão por em si conter a génese do disparate) é de de fazer perder a cabeça a um santo (e como toda a gente sabe, tal não é o meu caso) ou de rebentar de riso o mais sorumbático(then again, not me).

de bagão félix a sarsfield cabral, de joão miguel tavares a barata feyo, para culminar no papa espada e nos habituais rigorismos informativos do espesso, les beaux esprits encontram-se na tese de que os crucifixos "são naturais", estão "naturalmente" nas salas de aula, em nome da "tradição" (pois claro, a tradição, esse garante de civilidade e progresso, esse sinónimo de bondade absoluta e inquestionável e, já agora, de 'cultura') e querer de lá retirá-los é como extirpar uma parte da alma ao país sem sequer um pó de anestesia, atentando contra a 'liberdade religiosa' da 'maioria cristã' e desrespeitando 'as mais fundas convicções' do povo, contra o 'bom senso' e a 'boa convivência' -- e a cultura, que, claro está, 'é de todos nós', mesmo dos muçulmanos e dos judeus e dos ateus.

sempre apreciei sobremaneira o o modo como se conseguem escrever as coisas mais abstrusas e contraditórias e, muitas vezes, absolutamente mentirosas, com o mais inefável ar de seriedade. joão carlos espada, por exemplo, chega ao ponto de, na primeira linha da sua crónica do espesso, certificar que 'parece que, na semana passada, terá chegado às escolas estatais uma ordem do ministério da educação para remover os crucifixos das salas de aula', o que apelida de 'gesto gratuito'.

parece (eu diria mesmo que é certo) que o dr (ou será prof dr???) joão carlos espada escreve n'importe quoi, não sabe do que fala nem se incomoda em saber (mas nada disso é gratuito, não)-- desde que, a propósito, possa citar a rainha de inglaterra, por acaso chefe de uma igreja, sobre as vantagens dessa mesma igreja (foi coincidência) e proclamar a 'indestrutibilidade do cristianismo' (porquê o receio, então? vai-se a ver e até pode ir à máquina a noventa graus e não encolhe), com esta citação tão curiosa: "quanto mais pequena a minoria, quanto mais severas as punições e ameaças, mais forte era a fé" (será que a inversa também é verdadeira? e que tal aplicar essa teoria do esmagamento e da sobreveniente virulência aos credos esmagados pelo cristianismo e ao apagamento da não crença em nome de uma fé 'maioritária'? pense lá nisso dr -- ou prof, ou o que for). dá-se o caso, dr, ou prof ou o que for, de que nunca houve notícia de que o ministério tinha 'na semana passada' dado ordem de retirada dos crucifixos das escolas estatais, pelo que lhe forneço, absolutamente de graça e sem tábuas nem fogo sagrado, um mandamento para a exposição pública de ideias: quando se resolve dar ares de reflectir sobre alguma coisa sempre convém ler mais que as manchetes dos jornais -- até porque, creio, a inverdade e a manipulação não fazem parte das virtudes cristãs, mesmo se às vezes parece.

o mesmo se aplica ao próprio do espesso que, fiel à sua própria tradição, titula um texto sobre o assunto crucifixos com esta estupenda exactidão -- 'só 20 escolas têm crucifixos' -- fundamentando o 'facto' (que é o nickname do espesso, como se sabe) em 'fonte oficial' do gabinete da ministra que teria dito ao jornal que 'o número de escolas nessa situação não ultrapassa as duas dezenas' e no último parágrafo do texto: 'em abril, a associação república e laicidade enviou ao ministério um pacote com cerca de 20 fotografias de crucifixos em salas de aula, pedindo a sua retirada ao abrigo da lei de liberdade religiosa e da constituição. os casos eram relativos a escolas abrangidas pela direcção regional de educação do norte, que a partir de maio enviou os ofícios exigindo que os símbolos fossem retirados'.

uuuuffff.

que seriedade, que rigor, que inatacável sentido do serviço público (note-se que o dito texto, que refere o início da acção do ministério como sendo relativa a maio, sai na mesma edição que o já citado artigo de espada, que a situa 'na semana passada'. eheh -- factos há muitos, e cabem todos no espesso) .

primeiro: a rl enviou 'um pacote'?????? jesus, maria, espírito santo. agora um documento, que por acaso está disponível no site da associação e foi enviado a uma série de media, é 'um pacote'?
segundo: só há 20 escolas com crucifixos, diz o ministério, e calha ser esse exactamente o número que é apresentado pelo'pacote' da rl? que extraordinária coincidência.

terceiro: mais extraordinária ainda se torna a coincidência quando se afiança que todas as escolas em causa pertencem à área da dren (mesmo, presume-se, as que estão situadas em sintra, e são várias as que no 'pacote' da rl ali se encontram -- o mapa de portugal é muito traiçoeiro, e as divisões administrativas do ministério da educação ainda mais). e que foram essas as escolas que receberam os tais ofícios da dren no sentido de que retirassem os símbolos.

quarto: a directora da dren já disse publicamente, sem ter sido desmentida por ninguém, que enviou ofícios a 'uma dezena de escolas'. se todas as outras dez fossem da sua área, por que motivo não teriam recebido ofícios? por outro lado, dá-se o caso de a ministra da educação ter já dito que os 'serviços' só agem no sentido de mandar retirar os símbolos quando 'alguém se queixa'. se o 'pacote' da rl constitui, do ponto de vista dos 'serviços', uma 'queixa', então não deveriam os símbolos ter sido retirados de todas as 20-escolas-20 referenciadas?

quinto: houve jornalistas que encontraram escolas com crucifixos em lisboa, no porto e em faro -- nenhuma das quais referenciada no 'pacote'. vai-se a ver e inventaram-nos (é isso ou o espesso não é um facto, é um artefacto).

sexto: por que será que não ocorreu às autoras do texto ouvir a associação do 'pacote' e, já agora, requerê-lo? grande mistério.

sétimo: suuuuuuuuuuuuuuuspiro.

mas, deixando o melhor para o fim, na boa tradição das bodas de canaan (ah-ah, por esta não esperavam), mas sem necessidade de maior milagre que o da existência de tão admirável criatura, chegamos ao homem das neves, tão adequado a esta quadra natalícia. que hoje disserta no dn sobre o assunto, sob o título 'os inimigos da liberdade'.

ah, valente.

nem mais, nem menos: tirar crucifixos ou quaisquer outros símbolos religiosos das escolas públicas do estado laico é atentar contra a liberdade -- porque 'os crucifixos na sala de aula são apenas um pequeno detalhe. mas um pormenor revelador de uma luta crucial da humanidade, a luta em prol da liberdade'.

que, pequeno detalhe, essa crucialíssima luta pela liberdade tenha sido iniciada por esse grande libertador, oliveira salazar, em 1936, esse ano de tão boa colheita em prol da liberdade por toda a europa e no mundo em geral, quando os judeus e outros subversivos (ciganos, comunistas, homossexuais, etc) eram 'limpos' em nome de pecados originais, não vem ao caso -- já se sabe que deus (o tal cuja inexistência, escreve das neves, não pode ser demonstrada logicamente, transformando assim 'o ateísmo em apenas a crença de que deus não existe' -- olé! se isto não é uma chicuelina com pirueta invertida e mortal triplo empranchado, do touro ao toureiro, não sei o que seja uma) escreve direito por linhas tortas (e que tortas, senhor, por piedade -- assim ainda fica com vista cansada). e que a verdade agora não interessa nada -- o que conta é lutar contra os infiéis, esses anti-cristos que por obra do demo lograram furtar-se a séculos de fogueiras, perseguições e purgas sortidas (e muito católicas), todas em nome da suprema liberdade, tolerância e bom senso, e aguentar-se até hoje para atentar desta forma contra os mesmos valores supremos, desta vez sob a forma de símbolos religiosos nas escolas públicas.

ah, valentíssimo, valentão sr das neves. daqui até à queima da constituição, da lei de liberdade religiosa e de quem as apoiar (e quiser, imagine-se, abrenúncio, vê-las cumpridas) já não falta decerto muito -- ou 'as comunidades cristãs', como disseram vários prelados, não estivessem já a um fósforo da indignação e do desespero (e dos archotes e das piras).

é que, imagine-se, há quem veja a liberdade de prisma ligeiramente menos absolutista. quem a proclame como individual e não colectivizante, quem se atreva a pensar que a crença e mesmo o partisanismo dos mais não implica a anulação dos menos (no sentido numérico, of course).
que defender a presença de um crucifixo ou de qualquer outro símbolo religioso nos edifícios públicos (não confundir com o espaço público, como muitos têm torpemente feito, esquecendo talvez que durante séculos, mais precisamente até ao século xx, foi a igreja católica que, através da sua aliança com os poderes existentes, negou às outras confissões o direito a visibilidade no espaço público, obrigando os seus templos a esconderem-se atrás de altos muros -- caso da sinagoga de lisboa) em nome da crença ou do desejo da maioria equivale a defender que lá se ponha o símbolo do partido que ganhou as eleições ou do clube de futebol com mais adeptos.
que a inépcia e o imobilismo de décadas não podem permitir que o cumprimento dos preceitos constitucionais seja apelidado de 'violento' e 'inesperado'. que a hierarquia da igreja católica e os seus fiéis escribas, que se comprazem em denunciar atentados contra a liberdade religiosa pelo mundo fora quando é a sua liberdade religiosa minoritária que está sob ataque em países onde a maioria professa outra religião, revelam nestas atitudes que nada aprenderam e nada se mostram dispostos a aprender das mensagens mais universais do seu maior profeta -- a tal mensagem que o crucifixo é suposto tornar presente.

que, por último, não se trata de negar a história mas de aprender com ela -- e que tentar combater uma medida justa e legal como a da retirada de símbolos religiosos dos edifícios públicos com a alegação de que se abriu guerra ao cristianismo e que a seguir vão (porque 'têm de', em nome da coerência, assevera-se) queimar as igrejas, arrasar o natal e abolir os feriados religiosos é pura e simples estultícia (mesmo se, do meu ponto de vista laico, me faz mais sentido celebrar o dia em que a inquisição queimou giordanni bruno que o da nossa sra da conceição, que não faço ideia quem seja).

prontoS. escrevi muito, desculpem, mas também já não escrevia há que tempos (tenho estado muito ocupada a pôr crucifixos nas escolas).
|| f., 16:26 || link || (141) comments |

"Novidades"

Apesar de algumas dificuldades técnicas lá se conseguiu, ao fim de três dias, colocar nas Novidades a versão tântrica do super-hit Personal Jesus, pelo lendário Johnny Cash. Ninguém se pode considerar uma pessoa civilizada se não dançou este música pelo menos uma vez, no Tóquio, tocada pelos Depeche Mode (autores do original). Emergências do inconsciente ligadas à "quadra", à polémica do crucifixo e, claro, à actualidade política nacional, explicarão - talvez - a escolha da fotografia do lendário country man colocada nas Novidades. Penso que em 2006 veremos nos cinemas portugueses um biopic acabadinho de sair nos EUA sobre Cash, com Joaquin Phoenix a protagonista (na foto). Pelo excerto que vi no Conan O'Brien, parece-me que puxaram pelo lado george best do cantor. Espero não estar enganado.
|| JPH, 11:24 || link || (0) comments |

sábado, dezembro 3

entrevista de soares, entrevista de cavaco

questão prévia: alinho com o jph na falta de vontade em ir votar nas eleições de dia 22 de janeiro.
não deixo, como é óbvio, de ver (quase) todas as entrevistas dos candidatos. seja a de soares na rtp, que quase deu uma desanda a judite de sousa (que, aliás, esteve muito bem) porque não o deixava pôr a cassette do discurso das tréguas ao professor cavaco.
seja a de cavaco, a quem bastou uma pergunta de judite de sousa a contestar a sua alegada não-intervenção na vida política portuguesa nos últimos dez anos para começar a irritar-se, a engasgar-se...
o pior foi mesmo o valente engasganço quanto a fernando nogueira, essa pedra no sapato de cavacoseu sucessor no psd e principal vítima política do tabu cavaquista.

espero ansiosamente pelos debates.
(acho até que muita gente vai comprar cerveja, tremoços e pipocas para ver os frente-a-frente!)
|| Nuno Simas, 22:46 || link || (0) comments |

Arquivo Humberto Delgado

João,

Fiz a minha primeira busca no arquivo FHB e deu erro. Ora bolas!
|| Nuno Simas, 22:42 || link || (0) comments |

sexta-feira, dezembro 2

Como se financia Alegre?

Reza a lenda que Freitas do Amaral só conseguiu pagar as dívidas da sua campanha presidencial de 1986 produzindo pareceres jurídicos às pazadas. E passaram anos até que o problema fosse resolvido. Por isso pergunto: como irá Manuel Alegre pagar a sua campanha? Produzindo livros e mais livros? Tenham medo, tenham muito medo...
|| JPH, 10:47 || link || (1) comments |

Com amigos assim...

Um porta-voz oficial do PS, Vitalino Canas, volta a atacar Manuel Alegre, por este ter voltado a faltar à votação do OE/2006. Alegre responde voltando a vitimizar-se repetindo a conversa do "a mim ninguém me cala" e blá, blá, blá. Quem perde com isto é Soares, que volta a ser confrontado com o problema PS/Alegre e Alegre/PS e blá, blá, blá.
Já me faltava pouco para ter a certeza que o PS "oficial" (ou seja, o PS de Sócrates) está a fazer tudo o que pode para que Soares seja derrotado logo à primeira. Agora não me falta nada.
|| JPH, 10:39 || link || (3) comments |