Glória Fácil...

...para Ana Sá Lopes (asl), Nuno Simas (ns) e João Pedro Henriques (JPH). Sobre tudo.[Correio para gfacil@gmail.com]

quarta-feira, março 24

Ainda a "separação de águas"

A Laranja Amarga sublinhou uma aparente contradição nas minhas diatribes sobre o terrorismo: "JPH (...) 'regozija-se' com o assassinato do Sheikh Ahmed Yassin aqui mas uns quantos posts antes desvela as qualidades de um possível diálogo com grupos terroristas. Afinal por quantos posts será válida uma opinião?"

É uma crítica competente - e elegante nos termos - que merece resposta. No meu modesto entender é uma valente treta o argumento de que com terroristas não se fala. Fala-se, sempre se falou e vai-se voltar a falar outra vez. Arafat até foi terrorista, depois deixou de ser, depois voltou a ser conforme se ia falando com ele ou não. Portanto: o argumento de que com esses senhores não há "diálogo" ou "negociação" ou "diplomacia" comigo não pega. Não passa de uma bravata de comício, mais nada.

Mas agora pode-me perguntar: e com o Ossama, negoceia-se? Por mim agora não. Chegará a altura? Não sei, não faço a mínima ideia. O que digo com inteira convicção é que agora os EUA têm inteira legitimidade para assassinar (ou eliminar, o que se queira) o sr. Ossama. O homem é, assumidamente, o líder de uma organização que desencadeou contra os EUA vários actos de guerra, o principal dos quais foi o 11 de Setembro. É um chefe militar inimigo que pode, legitimamente, ser alvo de um acto de guerra - e morrer por isso. E isto aplica-se a Bin Laden como ao sheikh Ahmed Yassin. E digo mais: acções militares como as do assassinato do líder do Hamas têm, para mim, mil vezes mais legitimidade do que a invasão do Iraque (feita à margem de qualquer legalidade internacional e, ainda para mais, assente numa vergonhosa mentira).

Referiu ainda a Laranja Armada a minha "deselegância" por ter integrado o Pedro Oliveira na "esquerda burra" (designação que, aliás, fez o seu caminho). Admito. E por isso devo uma explicação: passo-me literalmente dos carretos quando se sublinha, sobre o sheikh Yassin, que ele era um velhinho "inválido", "tetraplégico" que se movimentava de cadeira de rodas (e não foi só Pedro Oliveira que o fez, Vital Moreira também e Mário Soares idem, ontem, na SIC-Notícias).

Seria o senhor, por isso, menos perigoso? E tornava-se, por isso, um alvo mais frágil? Não, claro que não. O sublinhado das características fisicas do sr. Yassin quando se descrevem as circunstâncias da sua morte implica, no respectivo subtexto - como também o argumento de que "só" era um líder "espiritual" - a ideia de que se estava perante um velhinho gá-gá sem qualquer valor político-militar. Falso, rotundamente falso, como todos sabemos.

Bom, é tudo, para já, se for o caso.
|| JPH, 12:20

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